Acne é uma doença inflamatória com diversos fatores envolvidos na sua formação, tendo a unidade folicular como o centro do processo do seu desenvolvimento. Tem um impacto psicológico grande nos indivíduos, impactando também no orçamento familiar durante o seu tratamento.

Clinicamente a acne se caracteriza pela presença de comedões, ou cravos, pápulas, pústulas, nódulos ou cistos e cicatrizes.

A glândula sebácea

As glândulas sebáceas estão associadas aos folículos em todas as partes do corpo. As regiões palmares e plantas, as quais não têm pelos, são também desprovidas de glândulas sebáceas.

As glândulas são maiores e mais concentradas nas áreas da face e couro cabeludo. Eliminam sua secreção a partir da desintegração completa de suas células, um processo conhecido como secreção holócrina.

A atividade da glândula sebácea é elevada ao nascimento e declina nas crianças entre 2 e 6 anos de vida, sendo quase inexistente nessa fase. Por volta dos 7 anos de idade a secreção sebácea volta a aumentar, para declinar novamente a partir dos 20 anos. é estimado que esse declínio ao longo da vida ocorra cerca de 23% por década no homem e 32% por década na mulher.


Ainda não são conhecidos todos os mecanismos que controlam o tamanho da glândula sebácea e sua produção de sebo, mas é certo que essas glândulas são diretamente controladas por androgênios.

Sabe-se que as glândulas sebáceas são estimuladas por androgênios a produzirem sua secreção. Porém, ainda não é possível correlacionar a quantidade desses hormônios com a atividade da glândula. A testosterona é o hormônio androgênico mais poderoso que o organismo produz, e sua produção é muita mais elevada no homem que na mulher, no entanto, a produção de sebo é quase a mesma para ambos os sexos. Tanto a testosterona como a dihidrotestosterona (DHT) apresenta um importante papel regulador na produção do sebo pela glândula sebácea.

Existem outros mecanismos envolvidos com a produção do sebo, porém ainda pouco conhecidos, sendo os principais representados pelas melanocortinas, os receptores ativados por proliferador de peroxissomo, conhecidos como PPARs (Peroxisome Proliferator Activated Receptors e a enzima acil-CoA diacilglicerol aciltransferase (DGAT).

A epidemiologia da acne

A acne é frequentemente considerada como uma manifestação inicial ou precoce da puberdade.  No sexo feminino, pode ocorrer até um ano antes da menarca, ou primeira menstruação.  Por ser muito comum no período da adolescência, muitas vezes é considerada por muitos como uma situação comum, ou fisiológica. A presença da acne torna-se um problema dermatológico geralmente no meio da adolescência, quando as lesões na pele tornam-se numerosas e maiores, com formação de manchas e cicatrizes, causando transtornos não só do ponto de vista dermatológico, como do âmbito social.

Com o avançar da idade, a tendência é que ocorra progressivamente redução da acne, porém, podendo persistir em alguns indivíduos. Estima-se que até 12% das mulheres e 3% dos homens terão ou continuarão a apresentar acne na vida adulta. Tem se tornado cada vez mais comum a acne na mulher adulta.

Cabe ressaltar que podem ser encontradas lesões de acne ao nascimento ou até mesmo no período neonatal. Essa acne é provavelmente resultante da estimulação dos folículos pilossebáceos por hormônios andrógenos adrenais, e não representam um problema efetivamente de pele, tendo melhora espontânea num curto período de tempo.

Etiologia e patogenia da acne

é essencialmente uma doença do folículo pilossebáceo, tendo como principais fatores envolvidos na sua formação:

  • hiperproliferação e diferenciação anormal dos queratinócitos;

  • aumento da produção do sebo pela glândula sebácea;

  • proliferação local da bactéria Propionibacterium acnes;

  • inflamação local.

A predisposição genética ao seu desenvolvimento é incerta, mas o número e o tamanho das glândulas sebáceas, e sua correspondente atividade é herdada.

Dos fatores envolvidos na produção da acne, os dois primeiros, ou seja, a alteração na proliferação dos queratinócitos dentro do canal do folículo pilossebáceo e a produção aumentada do sebo pela glândula, seriam os fatores iniciais no processo da formação da lesão da acne, que começaria pela lesão conhecida como comedão, ou cravo. Dentre diversas situações que poderiam estimular esses eventos iniciais, destacam-se os hormônios androgênicos, a composição dos lipídios presentes no sebo, e da resposta inflamatória de cada indivíduo à presença da bactéria P. acnes.

Naqueles pacientes com acne muito persistente, ou que recidivam com frequência, mesmo após tratamentos bem sucedidos, deve-se considerar a possibilidade de altos níveis de hormônios androgênicos no organismos, conhecido como estado de hiperandrogenismo, que deve ser pesquisado com exames específicos.

Acne e suas formas  comuns de manifestação clínica (Ler mais...)

Tratamento

Atualmente, recomenda-se que o tratamento da acne seja feito precocemente, assim que apareçam as primeiras manifestações na pele, que são representadas na maiorias das vezes pelos cravos, ou comedões. Em seguida, a tendência é que apareçam as lesões papulosas e pustulosas, e por fim, em alguns indivíduos, as lesões nodulares e císticas. Geralmente os pacientes tendem a procurar ajuda médica dermatológica a partir do surgimento das pápulas, pois é quando o quadro de “espinha” fica bem caracterizado. Essa recomendação, do tratamento ao sinal das primeiras manifestações da acne, é uma forma de se prevenir o surgimento das cicatrizes, que são os indesejados “buraquinhos” ou marcas, que muitos adultos apresentam por não terem tratado adequadamente a acne.

Para o tratamento efetivo da acne são considerados o uso de produtos adequados de higienização da pele, e medicamentos tópicos e orais, contendo substâncias que tenham capacidade de controlar a produção excessiva de ceratina e sebo, além de diminuírem a presença de bactérias e inflamação na pele.


Voltar