A pigmentação da pele é a combinação de uma série de fatores, entre eles, destacam-se a quantidade e o tipo de melanina produzida na pele, a presença de vasos sanguíneos, e a espessura do estrato córneo.

A melanina, que é o pigmento básico que confere a cor da pele, é formada dentro das células chamadas melanócitos. Os melanócitos utilizam as estruturas conhecidas como melanossomos para produzir a melanina, a partir da substancia tirosina, com o auxilio da enzima tirosinase.

Após a produção da melanina pelos melanócitos, os melanossomos, contendo a melanina, são levados até as outras células que compõe a pele, os ceratinócitos, e a partir daí, esses melanossomos fornecem melanina para os ceratinócitos na pele.

As diferenças de cor da pele entre as pessoas e raças são decorrentes da quantidade de melanina produzida nos melanossomos, do números de melanossomos, e da própria distribuição dos melanossomos entres os ceratinócitos da pele.

As doenças da pele com alteração da pigmentação relacionam-se com distúrbios dos melanócitos, tanto em relação à sua própria presença na pele, como na sua capacidade de produzir melanina. Em algumas alterações da pigmentação da pele, os distúrbios estão na distribuição dos melanossomos por entre as células, ou no tipo de melanina produzida.

Vitiligo

O vitiligo é uma doença da pele caracterizada pela perda da pigmentação, que afeta cerca de 1% da população mundial. Geralmente tem seu início na população mais jovem, e observa-se que aproximadamente metade dos casos inicia-se antes dos 20 anos de idade.

Acomete ambos os sexos e todas as raças.

A causa do vitiligo ainda não é conhecida, mas a doença é determinada pela ausência de melanócitos na pele afetada.

Existem três teorias que tentam explicar a doença:

  • teoria imunológica

    • essa teoria admite que o vitiligo seja uma doença do sistema imunológico, e que a formação de anticorpos contra os melanócitos seriam os responsáveis pela doença. A associação com outras doenças imunológicas, como tireoidite de Hashimoto, Diabetes Melitus, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Alopecia Areata e outras, reforçam essa teoria;

  • teoria citotóxica

    • baseia-se na possibilidade de algumas substancias destruírem os melanócitos, da forma como é visto no vitiligo;

  • teoria neural

    • essa teoria é baseada no fato de que algumas formas de vitiligo seguem trajetos de nervos, e nesse caso, a destruição dos melanócitos poderia ocorrer a partir da produção de mediadores neuroquímicos.

A manifestação clínica da doença é a perda do pigmento da pele, sem que ocorram processos inflamatórios ou outras alterações prévias da área afetada.

As principais áreas de despigmentação da pele são a face, a parte superior do tórax, o dorso das mãos e dos pés, as axilas e virilhas. Existe uma tendência da doença acometer as áreas ao redor dos olhos e outros orifícios da face, bem como ao redor do umbigo, e também da região genital.

A evolução do vitiligo é imprevisível, podendo progredir, regredir ou estabilizar. Em alguns casos é possível ocorrer a repigmentação espontânea.

O tratamento visa estimular a pigmentação da pele, a partir da ativação e migração dos melanócitos que estão localizados próximos aos folículos dos pelos, os quais não sofrem com o processo de destruição dos melanócitos provocados pela doença.

Para o tratamento são utilizados medicamentos a base de corticosteróides tópicos e sistêmicos, medicamentos Imunomoduladores, e substancias capazes de estimular a ativação e migração dos melanócitos, e produção da melanina na pele.

Uma das principais terapias empregadas atualmente no tratamento do vitiligo é a fototerapia com o UVB, apresentando bons resultados, tanto no adulto como nas crianças.


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